Choro, contradições e falta de respostas - BA


Jornal Tribuna da Bahia - 19/05/12: Sem a presença de familiares do servidor público municipal, que acompanharam a abertura dos trabalhos na quinta-feira, e ontem pela manhã tinha como representante um dos filhos, os seguranças envolvidos na morte de Neylton ficaram à vontade e ocuparam toda a parte da tarde para relatar como foi o plantão que davam no prédio da Secretaria Municipal de Saúde no dia do assassinato.

As contradições praticadas por Jair Barbosa Conceição e Josemar Santos foram consideradas irrelevantes pelo advogado de defesa, Vivaldo Amaral. “O tempo e o estado emocional dos meus clientes serão considerados e os equívocos não pesarão no juízo dos jurados”, pontuou.

Num rápido intervalo para que Josemar se refizesse da emoção ao relatar a tortura sofrida na delegacia durante interrogatório, a acadêmica de Direito Neide Oliveira, 42 anos, aproveitou para parabenizar o advogado pela defesa.

A universitária admitiu que “até ontem acreditava que os vigilantes eram culpados, mas, ao ouvir os depoimentos, mudei a opinião”. Depois de morar 13 anos na Europa, acompanhar vários casos, e conhecer muitos policiais, ela entende que “nossa investigação ainda é falha e a tortura para obter confissões existe.”

O choro do vigilante foi a surpresa para a plateia. Ao relatar o espanto de ser interrogado por mais de 15 pessoas, durante uma sessão que acabou com tortura, o vigilante chorou. Sem conseguir controlar a emoção, recebeu atenção do juiz, que preferiu interromper por minutos a sessão até que o réu se refizesse.

Do lado de fora do Salão do Júri, os jornalistas se dividiam nas opiniões sobre o veredicto final. Mas todos perguntavam, “então, quem foram os mandantes”? Para a maioria dos representantes da imprensa que acompanhavam o julgamento, a falha estava realmente na ausência das pessoas que queriam ver Neylton morto.

“Qual motivo teria esses dois vigilantes que pouco conheciam o funcionário morto?”, questionava um deles.

DEPOIMENTO - Após uma ligeira parada para o almoço, os trabalhos foram reiniciados pouco depois das 14 horas, com o depoimento de Jair. De acordo com os assessores de plantão, por mais de três horas o vigilante responde às perguntas do juiz.

Dando sequência, Josemar ocupou o banco para o mesmo procedimento, e a previsão era de que outras três horas seriam gastas nessa etapa, que antecedia ao debate da promotoria e defesa, réplica e tréplica.

“Por volta das 5 horas, sai o resultado do júri”, antecipava-se Vivaldo Amaral. As contradições foram anotadas pela acusação e relevadas pela defesa. O júri, composto por duas mulheres e cinco homens, acompanhou com toda a atenção cada resposta dada para no meio da madrugada proferir a decisão que daria ao juiz condições de declarar a sentença.

Mariacelia Vieira REPÓRTER

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