Jornal FAXAJU-22/09/11: Em Brasília, um cliente não conseguiu fazer uma operação bancária e começou a xingar a funcionária. Um vigilante, que pediu para não ser identificado, se aproximou e também foi maltratado. “Mandou eu sair de perto dele, que eu não resolvia nada, que eu não fazia nada, que eu não era ninguém para resolver o problema dele. Ficou falando um monte de palavrões que não vou dizer aqui”, conta.
O cliente que xingou vai ter que pagar R$ 2 mil para o vigilante e R$ 2 mil para a funcionária. A decisão foi do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Situações de conflito são mais comuns do que a gente imagina, principalmente entre os profissionais que lidam diretamente com o público.
A dona da loja de roupas todos os dias atende gente que já chega nervosa. “Quando dá a coisa errada, ‘você me empurrou a roupa’, ‘eu comprei por sua culpa’. Eu acho que não é por aí”, diz
Maria Helena Suxberger.
Os garçons também têm história para contar. “Chegou um cliente querendo uma mesa, eu ia passar um cartão em outra mesa, ela acenou e bateu com a mão na máquina que eu ia passar o cartão. A maquina caiu longe. Olhei para ele, ele olhou para mim. Ele falou ‘você achou ruim? Algum problema?’ Eu falei ‘não, só se tiver quebrado a maquina’. Aí ele queria brigar de qualquer maneira”, conta José de Jesus.
A psicóloga Carla Manzi diz que a explicação para o descontrole frequente pode estar na competitividade do mundo moderno e no estresse ela gera. “As pessoas não conseguem elaborar isso no decorrer da vida e vai somatizando. Essa somatização faz com que essa pessoa, em um determinado momento, as vezes sem um motivo muito significativo, venha a ter essa reação explosiva”.
Em Brasília, tem gente preocupada em resgatar antigos valores. A campanha Gentileza Gera Amor e Paz é um sucesso. “A idéia é essa. A gente estimular o lado bom do ser humano. Que as pessoas façam parte dessa corrente do bem”, afirma Nartan Lemos, psicóloga.
Se conversar não der certo, o jeito é fazer o mesmo que o vigilante e procurar a Justiça. “Você sabe que você tem direito. A pessoa não pode fazer isso com você nem ficar te humilhando a qualquer momento, em qualquer lugar, por qualquer coisa”, acredita ele.
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