Museu Fritz Müller, de Blumenau, será reformado pela iniciativa privada - SC



Jornal Diário Catarinense-04/04/11: O caderno de visitas avisa: o último grupo a conhecer o Museu de Ecologia Fritz Müller entrou na casa enxaimel da Rua Itajaí, em Blumenau, dia 22 de dezembro de 2010. Desde então, os portões foram fechados e o mato cresceu.

Do lado de dentro ficaram apenas os quatro vigias que se revezam dia e noite para preservar documentos e objetos que tornaram o antigo morador um dos naturalistas mais conceituados do mundo, citado por Charles Darwin por sua contribuição a pesquisas sobre fauna e flora.

A memória científica abandonada ganha agora uma esperança. Parceria público-privada assinada semana passada com a empresa Foz do Brasil permitirá a reforma total do museu. Ao custo de R$ 2 milhões, a revitalização levará dois anos para ser concluída.

– Nesta semana faremos uma reunião para definir o cronograma dos trabalhos, mas ainda não há previsão para o começo das obras – afirma o presidente da Fundação do Meio Ambiente de Blumenau (Faema), Robson Tomasoni.

Arnaldo Ferreira, vigia há cinco anos no museu, acompanhou o declínio da casa desde 2008. Na tragédia de novembro daquele ano, ele testemunhou a força da água comprometendo a estrutura. Foram meses de portas fechadas, reabertura temporária e novo fechamento, em dezembro do ano passado.

– Fizemos um detalhamento da estrutura e percebemos que a fiação antiga pode gerar até um incêndio – relata o presidente da Faema.

Além da reforma do imóvel que já existe, um novo prédio abrigará biblioteca para artigos sobre meio ambiente e também auditórios para receber os visitantes. Enquanto a reforma for feita, o acervo ficará em local ainda a ser definido pela Faema.

A Foz do Brasil confirmou a parceria, mas não quis passar detalhes sobre o projeto. A empresa está contratando museólogos que acompanharão a obra.

– Quando abríamos, havia muitas visitas. São alunos, moradores da região e até pessoas que vêm da Itália, Austrália, Suíça, Portugal e outros países – conta Ferreira.

– A prefeitura deveria criar formas de manter a divulgação de Fritz Müller neste tempo que o museu ficará fechado. As pessoas têm direito de saber quem ele foi e o que fez para a sociedade – defende o biólogo e mestre em Ecologia Lauro Bacca.

Há a possibilidade de, caso o museu demore mais do que o planejado para ser reinaugurado, agendar visitas para pequenos grupos, explica Tomasoni.

Morador ilustre
Fritz Muller nasceu na Alemanha, na cidade de Erfurt, em 1822. Estudou em Naumburg e Berlim. Em 1852, aos 30 anos, mudou-se com a família para o Brasil. Em Blumenau, trabalhou como professor, pesquisou a flora e a fauna do Vale do Itajaí e de Florianópolis.

Os resultados dos estudos viraram correspondências que ele trocava com Charles Darwin. Foram mais de 40 cartas entre eles, que renderam ao alemão radicado em Blumenau o apelido de Príncipe dos Observadores. Fritz Muller viveu na casa da Rua Itajaí, no Vorstadt, que hoje abriga um museu ecológico temporariamente desativado.

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