Manual para enfrentar os assaltos a restaurantes - SP



Revista Época-23/03/11: Os cozinheiros, garçons, caixas e manobristas de pequenos restaurantes da cidade deverão em breve ganhar novos colegas de trabalho: os seguranças. Além do pessoal da faxina, câmeras de vigilância passarão a varrer os salões e as calçadas. Além dos bons modos à mesa, quem sair para jantar fora deverá seguir um novo manual de etiqueta, que inclui o que fazer em caso de assalto. 

Esse cardápio pouco apetitoso começa a ser montado como uma receita possível para enfrentar a ousadia dos bandidos que passaram a roubar, aterrorizar e agredir clientes e funcionários de restaurantes. Um mês depois dessa onda de arrastões ter começado, a polícia prendeu seis suspeitos. Três deles foram detidos em flagrante, enquanto assaltavam um advogado no Morumbi. As investigações indicam haver duas ou três quadrilhas praticando crimes idênticos. O provável mandante de uma delas, de quem a polícia divulgou um retrato-falado, foi reconhecido e preso na região central da cidade. Outros dois criminosos foram pegos depois de fazer um arrastão em um restaurante do Butantã. Apesar de vítimas de diferentes assaltos terem identificado ao menos três dos suspeitos, todos eles negaram ter participado dos arrastões.

Segundo o tenente Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital, houve reforço do efetivo nas regiões que concentram mais bares e restaurantes. Mas a polícia reconhece que falta patrulhamento para impedir novos ataques. As medidas preventivas estão partindo de quem serve comida – e o custo delas acabará entrando na conta do freguês. “Tivemos que contratar segurança e instalar câmeras”, diz Luis José da Sousa Filho, sócio do Sushi Kioku, um dos primeiros restaurantes a sofrer a investida armada. “Essa molecada anda muito abusada.” O investimento mínimo em equipamentos de vigilância para coibir o que ele chama de abuso fica em torno de R$ 5 mil reais. E isso não inclui as despesas com pessoal.

A gastronomia é um motivo de orgulho para São Paulo. Os cerca 12,5 mil restaurantes da cidade estão entre seus principais atrativos. Ter de entregar a bolsa, a carteira, o celular e o relógio não costumava fazer parte do programa de quem sai para jantar fora de casa. Conviver com esse temor é mais que indigesto. “Ainda estou em choque”, diz uma vítima que estava no Galeto’s da Alameda Santos quando assaltantes entraram para roubar os clientes. Ela afirma que vai mudar o hábito de fechar negócios em jantares. “Não dá para deixar de sair, mas a paranoia vai demorar um tempo para passar”, diz uma vítima do arrastão no recém-inaugurado Rothko. Ali, o movimento já minguou. Para Diego Belda, dono do restaurante, o maior prejuízo é para a sua imagem. “A lembrança que aqueles clientes terão da casa será sempre a do arrastão que sofreram.”

Combater o crime é uma missão que desafia poder público. Exige um efetivo bem preparado, equipamentos e inteligência. Criminosos calculam os riscos de cada ação. E migram de modalidade conforme o risco aumenta. Os arrastões em restaurantes provaram ser de baixo risco. Por isso se repetiram.

Especialistas em seguranças têm uma cartilha com recomendações para quem está sob a mira de uma arma (leia abaixo). Segui-la pode fazer a diferença entre ter prejuízos apenas materiais e perder a vida. “O ladrão sempre cria um roteiro de ação que não prevê ser contrariado nem negociar com a vítima”, afirma o ex-secretário de segurança nacional, o Coronel José Vicente da Silva. Para a vítima, ainda resta a possibilidade de processar o Estado. “Ele é responsável por garantir a segurança pública. O restaurante, por oferecer um bom serviço gastronômico”, diz José Eduardo Povolieri de Oliveira, presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB-SP. Exigir indenização pelos prejuízos pode não ser suficiente para superar o trauma de um assalto. Mas deixa a conta menos salgada.

Como eles agem
Imagens das câmeras de segurança do Galeto’s mostram os ladrões entrando no salão (1), apontando as armas para funcionários e clientes (2), levando os objetos roubados para o carro parado do lado de fora (3) e fugindo (4). A ação durou um minuto e 23 segundos.

Imagens das câmeras de segurança do Galeto’s
Manual de “etiqueta”
Como não ser a próxima vítima de um arrastão em restaurante. Ou sair ileso quando ele for inevitável

• Prefira locais amplos, envidraçados, bem iluminados, com mesas na calçada. Eles têm menos chance de ser alvo que bistrozinhos discretos em ruas desertas, onde ninguém enxerga o que se passa lá dentro.

• Evite o final do expediente dos restaurantes, quando o caixa se torna mais atrativo e o pouco movimento nas ruas facilita a fuga.

• Minimize as perdas: leve a carteira enxuta. Nada de andar com todos os talões de cheque, cartões de crédito e documentos – ou você terá mais trabalho para recuperá-los.

• Não deixe celulares à mostra, em cima da mesa. Se ele já estiver ali quando o assalto começar, não esconda – assim você
evita que o ladrão se sinta contrariado e o ajuda a sair o mais rápido possível.

• Escolha entre levar o rádio ou o smartphone. Não ande com ambos. Certifique-se de que as informações contidas no celular podem ser protegidas (com senhas, por exemplo) e faça cópias de segurança de sua agenda regularmente.

• Jamais tente negociar, por exemplo, pedindo que não levem seus documentos. Lembre-se de que eles estão tensos e,
quanto menos atrito, melhor.
Cumpra o que ele pede: “Mãos para cima”, “Olhe para baixo”, “Deite no chão”...

• Nada de heroísmo. Não acene para pedestres ou tente telefonar para alguém. Nunca tente fugir ou reagir.

• Ao observar uma pessoa parada do outro lado da rua há muito tempo, ligue para o 190 e peça uma viatura.

• Registre a ocorrência. Só assim os criminosos serão reconhecidos.

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