Ex-vigia é morto a tiros - MT



Jornal Gazeta Digital-30/12/10: O ex-vigia Fernando Barbosa Belo, 39, condenado por participação na morte do empresário Sávio Brandão, foi executado a tiros no bairro Doutor Fábio 1, em Cuiabá. 

Fernando Barbosa Belo
Ele estava construindo o muro da casa dele, na rua Comodoro, quando foi abordado por 2 jovens, que usavam boné para cobrir o rosto. A dupla anunciou um assalto, sacou a arma e começou a atirar na direção da vítima.

Belo tentou fugir pelo corredor lateral do imóvel, passando pelos fundos da casa do vizinho, onde não resistiu aos ferimentos e caiu. A Perícia Técnica informou que foram entre 4 e 5 tiros e a Polícia descarta a possibilidade de roubo seguido de morte.

Os executores chegaram a pé e fugiram para o bairro Altos da Glória, que fica nos fundos do Doutor Fábio. Na hora do assassinato, havia um rapaz no local. Ele ajudava o ex-vigia e não foi atingido. Ele testemunhou o crime e disse que não conhece os executores. Conforme informações de vizinhos, um dos autores foi visto na rua por várias vezes, "rondando" a casa da vítima, onde mora há 2 anos.

A esposa de Belo, Fabiana Aires, 28, disse que não viu o homicídio. Ela conta que estava no quarto dormindo com a filha do casal. Fabiana ouviu apenas os tiros e depois foi chamada às pressas por um amigo da família, que disse que os disparos foram para o marido, com quem era casada há 2 anos.

A família não acredita que Belo tenha sido vítima de um assalto e sim de uma execução. Fabiana conta que o marido estava desempregado há menos de 1 mês e recebia o seguro desemprego. Como estava sem ocupação formal, iniciou a reforma da casa.

De acordo com Fabiana, o marido estava cerca de 2 anos fora do presídio. Ele deveria dormir na prisão, mas o trabalho como mestre de obra o obrigava a ficar até mais tarde. A situação fez com que ele não cumprisse a determinação judicial, porém a esposa assegura que o ex-vigia sempre ia ao Fórum para justificar a ausência.

O crime aconteceu por volta das 17h de ontem. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A delegada responsável pelo inquérito, Sílvia Pauluzi, esteve no local e conversou de maneira informal com o ajudante de Belo.

Ela explica que as investigações começaram e os relatos colhidos no bairro mostram que os executores não queriam roubar, tanto que já chegaram atirando, argumenta Pauluzi.

A delegada assegura que o inquérito estará concluído em 30 dias e que parentes e amigos da vítima serão ouvidos na delegacia. O corpo foi levado para o Instituto de Medicina Legal (IML), onde passaria pela necropsia.

A esposa de Belo afirma que o marido nunca relatou que recebia ameaças, mas em maio de 2009 ele pediu à Justiça para transferi-lo do albergue porque estava sendo ameaçado pelos demais detentos da instituição.

Na ocasião, a Justiça permitiu que ele dormisse no Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), onde deveria cumprir o regime semiaberto. O processo de Belo estava entre os inclusos no mutirão carcerário. Ele pedia o benefício da liberdade condicional. O ex-vigia era casado e tinha duas filhas, uma de 10 anos e outra de 6 meses.

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