DiárioDoSudoeste-26/06/13: José Jorge Costa, 33, diz ser um símbolo dos protestos que tomam as ruas contra os gastos do governo com a Copa. Porteiro, ele tem renda de um salário mínimo, mora numa casa sem alvenaria, com duas lajes, em frente à Fonte Nova -estádio que custou quase R$ 700 milhões para ser reconstruído numa região pobre de Salvador.
"Me sinto desprezado. A gente aqui, tão perto, e não tem acesso à facilidade nenhuma mesmo com esses jogos aí", afirmou ele antes do jogo em que o Brasil venceu a Itália por 4 a 2, no sábado.
A casa de Costa fica no alto do morro da chamada Vila Edinho, parte mais pobre do bairro do Engenho Velho de Brotas. A mesma via que dá acesso é a que separa o local da arena: a avenida Vasco da Gama está interditada por causa do torneio e, por isso, é preciso andar 2,5 km para pegar um ônibus.
"Minha mãe tem 82 anos. Se precisar sair de carro para alguma emergência, não pode", disse Costa. Perto dali, passaria o metrô da capital baiana, em obras desde 1999 e até hoje sem funcionar.
O metrô chegou a ser incluído na lista do chamado legado da Copa das Confederações. Agora, é prometido para o Mundial-2014. Mas o mais provável que a inauguração só aconteça depois da competição.
"A gente não ganhou nada, não fizeram nenhuma benfeitoria na vizinhança. Achei que ao menos sorteariam um ingresso para o pessoal da comunidade. Nada, zero", disse Costa.
Para completar, o trecho que permitiria aos vizinhos do estádio enxergar parte do gramado e das arquibancadas -graças ao formato de "ferradura" da Fonte Nova- acabou sendo coberto por 5.000 cadeiras temporárias instaladas ao preço de R$ 11,4 milhões. Elas ocupam o espaço de ventilação da arena, atrás de um dos gols.
"A única coisa que mudou com a Copa foi que, no dia da implosão da antigo estádio [há três anos], todos fomos expulsos de casa por seis horas devido ao risco dos explosivos", afirmou.
Na casa de Costa, moram dez pessoas em cinco cômodos. Há serviços essenciais como água, luz e coleta de lixo, além de uma escola e um posto de saúde. Porém, moradores convivem com a violência e o tráfico de drogas.
Horas depois daquele encontro, manifestantes entrariam em confronto com a polícia, na mesma região, com uma pauta de reivindicações sociais semelhantes.
Na véspera, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), declarara que a cidade não estava preparada para receber a competição.
Por Nelson Barros Neto | Diário do Sudoeste | FolhaPress veja também:















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