Segurança nos bancos é questionada - BR


Jornal Tribuna da Bahia - 21/05/12: Os bancos e os caixas eletrônicos se tornaram instrumentos indispensáveis para que pessoas e empresas possam realizar suas operações cotidianas.Por tanto, a segurança deve ser um assunto de toda a sociedade.

“Todos os lugares por onde transitam somas vultosas de dinheiro são alvos frequentes e é preciso garantir a integridade física daqueles que são compelidos, em função de suas atividades, a adentrar neles para o uso de seus serviços”, argumentou o engenheiro civil Fernando Dias Azevedo. Segundo ele, a segurança nos bancos ainda é falha e deixa muito a desejar nos caixas eletrônicos, principalmente naqueles situados em estabelecimentos comerciais como supermercados, farmácias e outros locais.

Segundo a Agência Câmara de Notícias, o problema foi discutido na última terça-feira, dia 15, em audiência da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime da Câmara dos Deputados, quando o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes, José Boaventura Santos, pediu mais segurança para o abastecimento de bancos e caixas eletrônicos no país.

Durante a audiência, ele também criticou os bancos e as empresas de vigilância pela falta de segurança do setor. As críticas dos vigilantes também encontram eco entre os clientes bancários que se sentem desprotegidos nas agências em horas em que os vigilantes aparecem com malotes e armados.

A professora Maria Aparecida Salgado diz que fica morrendo de medo quando este tipo de operação acontece, seja para abastecimento ou retirada de dinheiro. “O carro-forte fica parado na frente da agência, com vigilantes armados dentro e fora do estabelecimento bancário, em meio aos clientes. E se acontecer uma tentativa de assalto? Quem vai nos proteger?, perguntou.

Na fila, esperando a agência abrir, todos concordaram com a professora. Além do temor dos clientes, os vigilantes denunciam que a operação de abastecimento envolve também a contagem de dinheiro.

“Lamentavelmente, os vigilantes ainda estão contando dinheiro”, denunciou José Boaventura Santos, que também representou a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) na audiência realizada na Câmara dos Deputados.


Segundo ele, no ano passado, 49 pessoas foram assassinadas próximas a instituições bancárias no Brasil. Desse total, 32 eram clientes e 8 eram vigilantes. Este ano, 10 pessoas já morreram por falta de segurança nos bancos. O representante dos trabalhadores criticou, ainda, a resistência dos bancos que, em nome de padrões estéticos, não aceitam a instalação de divisórias entre os caixas para resguardar a segurança dos usuários.

Instituições são multadas
O Ministério da Justiça (MJ) anunciou a aplicação de multas para diversas instituições bancárias, públicas e privadas, devido a falhas apuradas no sistema de segurança das agências e de postos avançados. No total, a Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (Ccasp) penalizou seis bancos num montante de R$ 808,9 mil.

De acordo com Ademir Wiederkehr, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) na Comissão, os problemas encontrados indicam que há riscos para trabalhadores e clientes. Entre as irregularidades listadas estão número insuficiente de vigilantes, alarmes inoperantes, planos de segurança não renovados e utilização de bancários no transporte de valores, além de práticas de descumprimentos da legislação em vigor.

Não há dúvidas de que os bancos se tornaram hoje instrumentos indispensáveis para que pessoas e empresas possam realizar suas operações cotidianas. E também não é segredo para ninguém a alta rentabilidade desse segmento. O país tem uma das mais altas taxas de juros e o produto das disparidades entre o valor do dinheiro atribuído aos ativos e aos passivos dos clientes acaba sendo amealhado pelo sistema financeiro. Um cliente que usa R$ 100,00 do cheque especial paga muito mais do que recebe por R$ 100,00 depositados na caderneta de poupança, disse Ademir Wiederkehr.

A questão da segurança nos bancos é um assunto que interessa a toda a sociedade. Recentemente, em Porto Alegre, os bandidos usaram a estratégia de introduzir um assaltante em cadeira de rodas no interior da agência. As formas para burlar a vigilância são as mais variadas e é preciso investir em tecnologia e em recursos humanos para combater os meios empregados pelos delinquentes, comentou Wiederker.

novas exigências – As mais de 300 agências bancárias de Salvador têm 20 dias, contados desde a última sexta-feira (18), para se adequarem às exigências das leis municipais 8.025 e 8.042, ambas publicadas em 2011. A determinação é a de que os bancos aumentem a altura dos biombos de atendimento ao cliente nos caixas e instalem as câmeras de monitoramento nas áreas internas e externas das agências.

A intenção é aumentar a segurança dos usuários do serviço, já que os equipamentos poderão dificultar que outras pessoas visualizem as transações feitas pelos clientes. A fiscalização será feita em conjunto pela Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Codecon), órgão subordinado à Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prevenção a Violência (Sesp), e Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom).

Febraban afirma investir
O diretor setorial de Segurança Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Pedro Oscar Viotto, informou que a entidade está investindo em tecnologia para evitar roubos.

Ele citou o uso de tinta para inutilizar cédulas, em caso de explosão de caixas eletrônicos, e a realização de campanhas midiáticas para que o dinheiro manchado não seja aceito pela população. Segundo Viotto, o uso de explosivos nos furtos começou em 2010, em São Paulo, mas um esforço dos bancos e da polícia conseguiu reduzir os ataques no estado.

A partir daí, essa modalidade de crime se espalhou para outras regiões. “Nos próximos quatro anos, teremos a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Os ataques com explosivos estão causando má impressão ao País”, disse.

Viotto defendeu leis mais severas, maior controle dos explosivos, união das autoridades e regulamentação do Banco Central para permitir a inutilização das cédulas e conscientização da sociedade por meio de campanhas educativas.

Controle de explosivos – O diretor de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, general Waldemar Barroso Magno Neto, defende mudanças na legislação de multas e taxas de fiscalização de explosivos, para garantir maior controle em seu manuseio.

“Quanto menos pessoas utilizarem explosivos, melhor o controle”. Magno Neto disse que o Exército está formando novos técnicos para controlar a produção e o transporte de explosivos. Atualmente, 900 pessoas trabalham nesse controle.

Uma das leis que tratam desse assunto é a 10.834/03, que instituiu a Taxa de Fiscalização dos Produtos Controlados pelo Exército Brasileiro (TFPC), cobrada de empresas ligadas ao comércio e à fabricação de armas, munições, explosivos e produtos químicos agressivos.

Os recursos arrecadados com a taxa são destinados às ações de fiscalização desses produtos.O representante do Exército informou que 80% dos explosivos utilizados para crimes no Brasil são frutos de produção caseira ou contrabando.

Naira Sodré REPÓRTER

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