Júri-popular do caso Neylton continua - BA


Jornal Tribuna da Bahia - 17/05/12: Começou por volta das 10 horas de ontem o julgamento dos vigilantes Josemar dos Santos e Jair Barbosa Conceição, apontados pelo Ministério Público Estadual (MPE) como os autores do assassinato do funcionário público Neylton Souto da Silveira, ocorrido dentro do prédio da Secretaria de Saúde de Salvador (SMS), no dia 6 de janeiro de 2007.

O destino de serem acusados ou inocentados da senteça está nas mãos de sete jurados, que foram escolhidos através de sorteio, momentos antes de começar o julgamento.

O júri popular foi proferido pelo juiz Cássio Miranda e pelos promotores Davi Gallo e Antônio Luciano Assis. “O crime foi brutal e praticado por meio cruel e que não deu nenhuma chance de defesa à vítima”, afirmou Assis. Davi Gallho acredita que os réus poderão pegar de 12 a 30 anos de prisão.

“Para o MP não resta dúvidas do envolvimento deles na morte da vítima. Temos provas suficientes que comprovam isso e os próprios peritos que aqui servirão de testemunhas darão suas versões sobre os vestígios de torturas encontrados no corpo de Neylton, com o uso dos calçados dos acusados”, reforçou Gallo.

Já os advogados de defesa, salientaram que o MP não contém elementos suficientes que incriminem os réus. “Desde quando o juiz entendeu que Aglaé Pimentel e Tânia Pedroso, tidas como as mandantes do crime, foram inocentadas, como é que meu cliente vai ser condenado? Qual o interesse de Jair em assassinar Neylton?

Diante dessas falhas, quero expressar a inocência do réu, uma vez que ele não chegou a confessar participação nenhuma na execução. Apenas, Josemar, por meio de tortura, disse que matou Neylton e que Jair ajudou”, afirmou o advogado Vivaldo Amaral.

Para o advogado de Josemar, “também não resta dúvidas que seu cliente seja inocente, uma vez que ele confessou mediante tortura”. Os acusados, em entrevista a uma emissora, disseram que são inocentes e pediram que a verdade apareça.

O processo sobre a morte do servidor tem 20 volumes, sendo composto de 4.300 páginas. Neylton tinha 42 anos e trabalhava na controladoria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Por ele, passava todos os pagamentos dos contratos das empresas e logo ele descobriu desvios vultosos de verbas.

Na época, ficou claro nas investigações que ele não aceitou compactuar com atos ilícitos dentro da SMS e por isso, teve sua “cabeça” encomendada. A vítima chegava para trabalhar num sábado, dia 6 de janeiro de 2007, quando foi torturada, espancada e teve seu corpo jogado de uma altura de sete andares, caindo numa área externa.

Os familiares acionaram a polícia e dois dias depois, o corpo dele foi encontrado, sem as roupas e muito machucado. De imediato, os dois vigilantes que estavam no plantão no dia, foram presos. Na época, os acusados contaram que praticaram o crime a mando de Aglaé e Tânia e receberiam R$ 20 mil.

As servidoras foram apontadas como as mandantes do homicídio, e inclusive, no processo apurado pela promotora Armênia Cristina, do MP, haveria provas às incriminavam. No entanto, Aglaé e Tânia tiveram seus nomes excluídos do processo criminal pelo juiz da 1ª instância, Moacir Pitta Lima, que julgou não ter provas contra as acusadas.

Sem mandantes
O Ministério Público recorreu da decisão, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça, por isso, as duas ex-funcionárias da Secretaria de Saúde não foram julgadas. Ambas deveriam estar presentes no júri, como testemunhas. Porém, elas, que vivem em São Paulo, alegaram problemas médicos e falta de dinheiro, para estarem no julgamento.

A denúncia do Ministério Público evidencia que a morte do servidor está ligada à queima de arquivos. Por isso, vários processos envolvendo denúncias de improbidade administrativa e desvio de verbas públicas contra empresas e ex-funcionários tramitam na Justiça Federal.

O processo de improbidade revelou que os fiscais da Controladoria Geral da União encontraram provas e documentos que indicam desvio de verbas que ultrapassa mais de R$ 80 milhões em verbas públicas.

“O que Neylton sabia, desafiou a íra dos poderosos. Isso vai ter um desfecho só quando a polícia terminar as investigações, mas uma coisa é certa, ele sabia demais e por isso morreu”, afirma Davi Galo, promotor de Justiça.

Após uma parada de 50 minutos para o almoço o julgamento prosseguiu durante a tarde, e somente perto das 22 horas foi suspenso. Até o final dos trabalhos, 54 testemunhas (acusação e defesa) deverão ser ouvidas. Às 18 horas de ontem, somente três delas tinham sido chamadas.

A expectativa é que o julgamento só termine na tarde de sábado. Os acusados, Josemar e Jair, ficaram presos durante 4 anos e meio e no ano passado, ganharam o direito de responder o processo em liberdade. Se condenados, eles retornarão ao presídio.

Silvana Blesa REPÓRTER

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