Jornal Diário de SP - 16/05/12: A Polícia Civil de Guarulhos, Grande São Paulo, prendeu, no último sábado, o vigilante Eduardo Ponciano, 36 anos, suspeito de ser o assassino em série responsável pela morte de um travesti e uma garota de programa no último mês. As orelhas das vítimas teriam sido arrancadas, uma espécie de “assinatura” do matador.
Em 27 de abril, Zenildo Marcos de Oliveira, 28 anos, foi esfaqueado no ponto de prostituição onde trabalhava, no Jardim Ipanema. Quatro dias depois, a polícia encontrou uma caixa com uma orelha, uma peça de xadrez e um bilhete a 500 metros do local, em frente à casa de Eduardo.
No último dia 8, Cibele Gomes Cotias, 22 anos, também foi morta a facadas e sua orelha, arrancada. Quatro dias depois, uma outra caixa, com mais uma orelha, bilhete e peça de xadrez foi localizada na porta da casa do suspeito.
Nos bilhetes, o assassino dava à polícia indícios de que novas mortes aconteceriam. “As peças um dia vão se encaixar”, anunciava um dos recados.
PSICÓTICO/O comportamento anormal de Eduardo chamou a atenção da polícia. O vigilante permitiu que os investigadores entrassem em sua casa, onde foi apreendido vasto material sobre ocultismo, filosofia, psicanálise e serial killers. Entre as publicações, está a biografia de Vicent Van Gogh, pintor que cortou a própria orelha e mandou para a namorada. Também havia um jogo de xadrez com peças idênticas às que foram apreendidas. Faltavam, entretanto, os peões encontrados dentro das caixas.
Eduardo confessou o crime com rigor de detalhes para duas equipes de investigadores e ao delegado Wagner Terribilli, chefe do setor de homicídios. O suspeito se negou a formalizar o depoimento. “Ele alterna momentos de loucura e lucidez, é esquizofrênico e precisa ser medicado. Até a conclusão dos laudos, ele é apenas suspeito”, pondera Terribilli. O delegado pediu confronto de DNA para os corpos das vítimas e as orelhas nas caixas.
Eduardo contou, segundo a polícia, que via o rosto de sua mãe nas pessoas que morreram. A mãe do suspeito foi até a delegacia e contou, em seu depoimento, ter muito medo do filho. Ela teve de se mudar da casa após uma série de agressões e ameaças de morte. Uma vizinha, de 77 anos, relatou à polícia que tentou catequizar Eduardo, mas que, em um momento de revolta, ele ameaçou arrancar as orelhas dos colegas. Na época, ele tinha 7 anos.
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