Caso chocou a população de MT e teve julgamento rápido



Jornal Mídia News-26/12/10: Um dos casos que mais comoveram a população cuiabana, ocorrido em agosto de 2009, teve desfecho neste ano, com a condenação de dois ex-seguranças do Goiabeiras Shopping Center, em Cuiabá, pelo assassinato do estudante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz. O caso ganhou repercussão nacional, sobretudo pela brutalidade que resultou na morte da vítima, que foi espancada e humilhada.

Surpreendendo qualquer expectativa no meio jurídico, com relação ao prazo processual, o caso foi concluído com agilidade, onde os quatro acusados se sentaram ao banco dos réus no final de setembro deste ano. A Justiça decretou, após três dias de julgamento, a sentença dos acusados condenando dois ex-seguranças e inocentando outros dois, na época, acusados.

Jefferson Luiz Medeiros, apontado como o principal agressor de Donnan, foi condenado a 23 anos de prisão por homicídio. Ednaldo Belo foi condenado a 12 anos e seis meses. Eles também receberam a condenação de mais um ano e oito meses por fraude processual. Valdenor Moraes e Jorge Nery foram absolvidos pelo júri popular.

Marcado pela comoção e participação popular, o júri durou três dias e foi um dos com maior tempo de duração de 2010. Após várias versões, depoimentos contraditórios, a verdade dos fatos se estabeleceu com os depoimentos dos três seguranças - Belo, Valdenor e Nery -, do assassinato de Donnan, cuja versão foi combatida por Medeiros, que afirmou que a vítima havia caído de uma escada.

Relembre o caso
Reginaldo entrou no Goiabeiras Shopping por volta das 16h30 do dia 29 de agosto de 2009, para comprar ingressos de um evento e, depois, sentou-se na praça de alimentação para tomar um suco, acompanhado de duas amigas. Ele carregava vários porta-latinhas, trajava roupa simples e um chapéu de abas largas (tipo mexicano).

Segundo relatos, ele foi abordado na praça de alimentação por dois seguranças, que recolheram o material, além do seu chapéu. Momentos depois, ele foi imobilizado na loja Beto Esportes, onde tentava fazer uma compra, e levado pelos seguranças Jefferson Medeiros e Ednaldo Belo até a sala de segurança.

O estudante saiu da sala da segurança dentro de um contêiner de lixo, provavelmente, já inconsciente, e deu entrada no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, às 21 horas. No dia 31 de agosto, foram constatados indícios de morte cerebral, sendo mantido vivo com auxílio de aparelhos. No dia 1º de setembro, Reginaldo morreu.

Reveja depoimentos em júri popular:
Jefferson Medeiros - No interrogatório com mais de três horas de duração, Medeiros, de 25 anos, mudou a versão apresentada sobre os fatos que culminaram na morte de Donnan. Ele insinuou que se algo aconteceu pode ter sido no momento em que Belo estava sozinho com a vítima. Ele ainda disse que havia, sim, gravações da escada, mas que desapareceram.

Ele que foi o segundo réu a depor. Também afirmou que a tese de que Reginaldo tentou atingir ele e Ednaldo com o estilete é falsa, segundo o réu Belo, que a teria inventado. "Eu menti por amizade", declarou Medeiros. O segurança pontuou que utilizou de "energia" com Reginaldo, mas não o agrediu fisicamente ou o xingou.

Medeiros se manteve tranqüilo durante toda a narrativa, chorando duas vezes em momentos que falou sobre a família. Ele repetiu em diversas ocasiões o quanto foi dura a perda de sua mãe com câncer. Em diversos momentos alegou que a mídia tinha o poder de manipular as pessoas e por isso toda a exposição do caso.

À família de Reginaldo ele disse que todos os dias ora por ela, que coloca o seu juízo no chão e pede que Deus o dê uma nova oportunidade de vida.

Ednaldo Belo - No dia do júri, assumiu que agrediu Reginaldo e acusou Medeiros de ter chutado a cabeça da vítima por diversas vezes. A idéia do contêiner teria sido de Medeiros, assim como a do registro de boletim de ocorrência falso. Os advogados do Goiabeiras Shopping também teriam orientado os acusados a manterem a versão do B.O., mesmo sabendo a verdade.

Por duas vezes o acusado interrompeu o depoimento em forte choro. Ele dizia-se arrependido por mentir e por mais de três vezes disse que "caiu no conto do vigário" quando acreditou em Medeiros e na administração do Goiabeiras. Belo afirmou que o advogado do shopping chutava seu pé na delegacia para que não dissesse nada além do combinado, sendo que os representantes jurídicos do estabelecimento comercial deixaram de representá-los a partir do momento que eles disseram a verdade na delegacia, alegou Belo.

Ele contou também que houve uma reunião entre os representantes jurídicos do Goiabeiras e os seguranças. A intenção era que se mantivesse a primeira versão. Afirmando que Medeiros disse que não ia dar em nada. Belo informou que Medeiros disse para Jorge que assumiria qualquer problema que aparecesse. Que iria inclusive apagar as imagens, mas o interrogado sabia que isso era impossível.

Belo ainda expôs que embora a vítima tenha se debatido e caído na escada, ela não sangrou. Ele relembrou que Jefferson chutava a face de Reginaldo e que embora estivesse desencostado da parede, o impacto o jogava para trás e batia a cabeça. Belo informou que em nenhum momento ficou sozinho com a vítima.

Valdenor de Moraes - No dia do julgamento, mudou seu depoimento pela quinta vez. Ele contradisse Medeiros e afirmou que em nenhum momento Belo ficou a sós com Reginaldo na sala de segurança. Ele afirmou que viu e ouviu Medeiros agredindo a vítima, chegou a pedir que parasse, mas foi ignorado.

O réu expôs que a cabeça da vítima batia como tabela. Valdenor também esclareceu que foi atrás de Reginaldo fora do shopping por ordem de Medeiros. Ainda disse que foi Medeiros que solicitou via rádio que a equipe de limpeza levasse o contêiner. Informou que havia, sim, uma cadeira de rodas na sala de segurança e viu quando Belo e Medeiros limparam o sangue no nariz de Reginaldo com uma fralda.

O acusado afirmou estar arrependido por ter batido na mão da vítima e derrubado seu celular. Em 14 anos de trabalho no Goiabeiras Shopping, ele nunca havia presenciado cena semelhante ao ocorrido no dia 29 de agosto de 2009. Contou que após ligar para o Ciosp por livre e espontânea vontade, o telefone tocou e ele repassou ao supervisor-geral Mateus o que estava acontecendo no estabelecimento.

Jorge Nery - Em seu depoimento, afirmou que ficou na porta da sala de segurança à espera da chegada da polícia. Ouviu barulhos como se estivesse batendo em um balcão ou algo do tipo. Ainda ouviu xingamentos entre Reginaldo e Medeiros. Disse ainda que Medeiros teria tentado apagar imagens das câmeras de segurança, mas não conseguiu.

Jorge ajudou a carregar Reginaldo até a sala de segurança. Chegando ao local, colocaram a vítima de lado, escorado na porta. O interrogado viu quando Belo deu dois "escorões" com o pé pedindo para Donnan se levantar. Nery e o outro rapaz que ajudou a carregar a vítima ficaram olhando na porta. Neste momento, Medeiros mandou arrogância que saíssem.

Disse ainda que estava em período de experiência e por isso sua submissão às ordens de seus superiores Medeiros e Belo. O réu afirmou que viu Reginaldo ferido somente quando abriu a porta para entrar com o contêiner.

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