‘Era como uma câmara de gás’, diz ex-segurança da boate Kiss - RS


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G1-11/09/2013: Um ex-segurança da boate Kiss prestou depoimento durante a audiência desta quarta-feira (11) referente ao incêndio na casa noturna de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, ocorrido em 27 de janeiro e que causou 242 mortes e deixou mais de 600 feridos. Ao lembrar da saída do estabelecimento, o porteiro e vigilante Jairo da Silva Lima afirmou que qualquer jovem que ficasse por algum tempo respirando a fumaça na noite da tragédia não conseguiria deixar o local. “Era como uma câmara de gás”, comparou.

Foto: Felipe Truda/G1
Jairo da Silva Lima prestou depoimento nesta quarta em Santa Maria.
Foto: Felipe Truda/G1
“Se respirasse demais, não conseguiria sair. Depois que eu saí, fui até os bombeiros. Não entrei novamente porque tinha rinite alérgica”, acrescentou. O ex-segurança também recordou que chegou a ver uma tentativa de conter pessoas que tentavam entrar novamente no local para salvar outros clientes, sem citar o Corpo de Bombeiros. “Muita gente entrou e não saiu. Quase houve briga, e o pessoal que queria entrar, entrou. Estavam em desespero, pois havia amigos ou parentes lá, e não havia como conter o pessoal na frente", relatou o ex-segurança da boate.

Lima pertencia à equipe de Everton Drusião, e era colega de Rute e Daniel da Cruz, que depuseram na terça-feira (10). Ao contrário do casal, no entanto, ele não percebeu se a porta de saída chegou a ser bloqueada, pois trabalhava em uma das áreas VIPs na parte interna. “A porta fica sempre fechada, mas quando eu cheguei ali a da área de fumantes já estava aberta”, disse.

Listado como vítima no processo, Lima respondeu a perguntas do juiz Ulysses Louzada, responsável pelo caso, e de representantes da acusação e da defesa dos quatro réus. São denunciados por homicídio doloso, por dolo eventual, os sócios da Kiss Elissandro Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Bonilha Leão.

O depoente também disse ter sentido dificuldades com as barras que ficavam localizadas na saída da boate. Ele confirmou ter dito à Polícia Civil que havia ficado “embretado” entre as grades. Lima ainda confirmou ter visto, em outras ocasiões, bebidas serem servidas na Kiss com um artifício pirotécnico.

“Há umas duas semanas, eu pensei que era um perigo (o baldinho com fogo) por causa do assoalho de madeira, pois como sou vigilante tenho treinamento de combate ao incêndio” declarou. No entanto, por nunca ter se reunido com os sócios da boate, não chegou a alertar ninguém sobre isso. “Somos terceirizados, então é complicado dizer essas coisas”, justificou.

O advogado de Kiko, Jader Marques, questionou se ele “assumiu riscos” ao não falar com alguém sobre isso, e se ele havia pensado que várias pessoas poderiam morrer em um incêndio na Kiss. “Ninguém visualizou que pessoas pudessem morrer queimadas. Você não pode colocar palavras na minha boca. Eu só pensei que era perigoso, e guardei para mim”, respondeu, em tom ríspido.

Após Lima ter dito que a fumaça bloqueava a entrada de luz na boate no momento do incêndio, Marques também perguntou se seria possível que as placas de sinalização tivessem sido cobertas. “Feche os olhos e você saberá como estava lá dentro”, respondeu.

Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 242 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.

O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados. Dois proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda foram presos nos dias seguintes à tragédia, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em 29 de maio.

Veja as conclusões da investigação
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
- As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
- O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
- A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
- Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
- A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
- As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
- A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
- Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
- As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
- Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas

Felipe Truda Do G1 RS, em Santa Maria

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