'Achava que era briga', diz segurança da Kiss sobre barrar saída da boate - RS


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G1-16/07/13: Terceiro sobrevivente a ser ouvido nesta terça-feira (16) na audiência do processo criminal da Kiss, em Santa Maria, o segurança e porteiro da boate André de Lima falou sobre os primeiros momentos após o início do fogo. Ele contou que estava dentro da casa noturna e foi pisoteado quando tentou sair. "Me sinto vítima. Fui pisoteado e chegou a cair as minhas calças", disse. A tragédia matou 242 pessoas em 27 de janeiro.

Foto: Luiza Carneiro/G1
André de Lima deu depoimento sobre caso da Boate Kiss.
Foto: Luiza Carneiro/G1
Lima afirmou que estava na porta recebendo as comandas das pessoas que deixavam a boate e pensou que estava ocorrendo uma briga. Segundo ele, em seguida Elissandro Spohr, o Kiko, teria pedido que a saída fosse liberada. "Foi o tempo de dar o tumulto. O Kiko pediu para liberar. Estava segurando porque achava que era briga", afirmou. Além dele, outro segurança era fixo da casa, e uma empresa de segurança prestava serviço terceirizado.

O segurança contou que recebeu 74 comandas de clientes que já haviam saído. Como cerca de uma hora antes do incêndio uma funcionária havia lhe dito que a estimativa era de 750 pessoas na casa, ele calculou que poderia haver cerca de 700 pessoas no local no momento da tragédia.

Além disso, Lima explicou que o extintor que teria sido usado para apagar o fogo em cima do palco da casa noturna estava vazio por conta de uma confusão na boate meses antes. "Um cliente acionou o extintor meses antes de brincadeira", disse.

De acordo com o segurança, o gerente da boate, Ricardo de Castro Pasch, agia de forma rude com os funcionários. Os dois teriam discutido em outubro de 2012 e Lima recebeu um aviso prévio em dezembro. "A Ângela (irmã de Kiko) me chamou para conversar e me deu o aviso prévio até 15 de janeiro. Depois, falou comigo de novo que precisaria do meu serviço até o Carnaval", confirmou durante o depoimento. O segurança acrescentou ainda que sua carteira de trabalho ainda está em aberto e que vai mover uma ação trabalhista contra a casa noturna.

Lima afirmou também que no dia 25 de junho deste ano encontrou com Pasch na rua. O gerente teria chamado o segurança para conversar dentro do seu carro. "Ele disse que não era para eu ter falado sobre os valores da casa noturna em depoimento na polícia, o que entrava, quanto custava". Segundo Lima, uma ocorrência foi registrada na polícia.

Mais cedo, pela manhã, o ex-funcionário da boate Kiss Sandro Peixoto Cidade, responsável pelo som no local, foi o primeiro a ser ouvido. Ele se emocionou ao lembrar da noite da tragédia, que foi responsável pela morte de 242 pessoas. "A Kiss era a minha casa, era tipo um clube. Estávamos sempre lá dentro, todo mundo era amigo", contou.

O segundo depoimento foi do estudante Cássio Martellet Lutz, que era cliente da boate. Outras duas pessoas ainda falarão à Justiça de Santa Maria nesta terça. Elas farão o relato do que viram e das situações pelas quais passaram ao juiz Ulysses Louzada e responderão aos questionamentos de promotores, advogados de defesa e acusação.

MP responsabiliza quatro bombeiros
Depois de mais de cinco meses de investigações, o Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul responsabilizou nesta segunda-feira (15) quatro bombeiros e isentou servidores da Prefeitura de Santa Maria no inquérito civil que apurava supostas irregularidades na concessão de alvarás para a boate Kiss. O prefeito Cezar Schirmer também foi excluído. O incêndio, em janeiro deste ano, matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos.

Foram citados Altair de Freitas Cunha e Moisés da Silva Fuchs, ex-comandantes do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros (CRB), e Daniel da Silva Adriano e Alex da Rocha Camilo, ex-chefes da seção de prevenção de incêndios do 4º CRB. Uma ação civil pública por improbidade administrativa será ajuizada contra os quatro nomes.

Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 242 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.

O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados. Dois proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda foram presos nos dias seguintes à tragédia, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em 29 de maio.

Veja as conclusões da investigação
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
- As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
- O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
- A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
- Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
- A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
- As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
- A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
- Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
- As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
- Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas

Luiza Carneiro Do G1 RS, em Santa Maria

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