Jornal Rede Bom Dia - 17/06/12: Enquanto na Capital, a Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares diz que desde o início do ano foram 20 casos de arrastões a bares e restaurantes, no ABCD, os dois primeiros casos de 2012 aconteceram nos últimos 20 dias, em estabelecimentos de Santo André.
Mesmo assim, de olho nas más noticias vindas de São Paulo, os empresários do setor não deixaram de se mexer, e já trabalham para reforçar o aparato de segurança em bares e restaurantes.
Diretor do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Carlos Roberto Moreira destaca que, há um ano, a entidade iniciou um trabalho integrado com as GCMs (Guardas Civis Municipais) e as polícias para lidar com a questão da segurança nos estabelecimentos comerciais.
“Esse é um problema endêmico. É natural que, depois da Capital, esse tipo de ação criminosa migre para o ABCD. Por esse motivo, e de forma a antever esses acontecimentos, que nós realizamos algumas reuniões com as forças de segurança”, revela Moreira. “Um reflexo dessa integração foi o reforço no policiamento que aconteceu durante o Dia dos Namorados”.
Câmeras/ Em 22 anos na avenida Dom Pedro I, no bairro Jardim, o empresário Dalcir Perin, 58 anos sofreu apenas um assalto. O proprietário da Churrascaria D' Brescia Grill, porém, já planeja aumentar o número de câmeras de vigilância no es tabelecimento.
“Depois dessas ocorrências em São Paulo, não seria surpreendente que algo acontecesse por aqui. Já temos o alarme e as câmeras, mas pretendo colocar alguns pontos a mais no salão e na entrada do estabelecimento”, conta.
"Não existe muito o que possamos fazer se acontecer alguma coisa. O meu medo é de que algo aconteça durante um dia de grande movimento, como aos domingos. Cabe à polícia fazer o seu trabalho. Se tiver patrulhamento, fica mais difícil para os criminosos”, completa Perin.
Segurança /Já no Pilão Mineiro, o empresário Vagner Netto, 49 anos, investiu na contratação de uma empresa de segurança.
“Existe essa preocupação com os arrastões. Redobramos nossa atenção durante a abertura e fechamento. Já temos câmeras de segurança ligadas a uma central de monitoramento. Mas há cerca de três meses temos os seguranças, que patrulham os arredores do restaurante”.
Foco /Comandante interino do CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitano 6) – responsável pelo ABCD -, o tenente-coronel José Belantoni Filho, garante que a meta atual da Polícia Militar na região é o combate aos roubos.
“Vamos continuar o nosso trabalho. Já demos a orientação para que haja um aumento nas patrulhas nos pontos com concentração de locais de lazer. Se houver um crescimento nessas ações de roubo continuado [como os arrastões são denominados no jargão oficial], estaremos prontos”.
Cinco minutos de pânico na hora do almoço
Analista de TI estava entre os clientes roubados em arrastão do último dia 6, em Santo André; polícia já ouviu quatro testemunhas do caso
O último arrastão em um restaurante da região aconteceu no último dia 6, quando dois criminosos armados invadiram um restaurante da Vila Assunção, em Santo André, roubando dinheiro e pertences dos clientes durante o horário de almoço.
E dentre esses consumidores estavam o analista de TI Carlos José da Silva, 32 anos. Ele estava no local acompanhado da mulher, Thiene dos Santos Silva, 27 anos. “Neste dia não fui trabalhar. Havia acabado de doar sangue, e estava me preparando para o almoço”.
“Foram cinco ou seis minutos de pânico total. A gente vê as notícias na TV e acha que são uma realidade distante. Nunca tinha imaginado que fosse passar por isso, ainda mais naquela hora e naquele local. Na hora, a gente fica com um sentimento de impotência muito grande”, disse Silva.
Reação /O analista pensou em reagir. Esconder os pertences. Mas os criminosos, agressivos, estavam muito próximos. Decidiu não reagir. Além dos documentos, a bolsa de sua mulher – além de dois celulares e um aparelho de GPS, acabaram levados pelos criminosos. “Nesse momento você precisa ficar calmo. Não pode resistir em hipótese alguma”, completa.
Segurança /A polícia ainda não tem pista da dupla de criminosos. “Foi instaurado inquérito para apurar o que aconteceu naquele dia. Já ouvimos quatro vítimas do caso”, destacou o delegado-titular do 1ºDP da cidade, Lupércio Dimov.
Na opinião do delegado, é possível que o início de ações desse tipo no ABCD seja um reflexo dos arrastões bem sucedidos na Capital. “Não acredito que sejam as mesmas quadrilhas que atacam por lá. São criminosos locais, tentando reproduzir os mes mos métodos. Por esse motivo, orientamos os empresá rios a colocar câmeras de vigilância e a montar esquemas de vigilância solidária”.
“Para o cliente, a orientação é não ostentar jóias e relógio nesses estabelecimentos. Leve pouco dinheiro e um cartão. E não reaja”, destaca Dimov.
Vigilância solidária /Citado pelo delegado, o projeto foi implantado há três anos em Santo André, e sinaliza, por meio de placas, a existência de uma rede de vigilância comandada pela vizinhança.
Para isso, os moradores de uma mesma rua trocam informações pessoais, como números de telefone, além de informações sobre a rotina da família ou do estabelecimento comercial.
A ideia é que, a partir daí, cada vizinho fique responsável por fiscalizar o local. Ao notar atitude suspeita, a Polícia é comunicada imediatamente.
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