Jornal Correio do Povo-02/11/10: As investigações realizadas pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gecoc) acerca do assassinato de 30 moradores de rua em Maceió apontaram o envolvimento de policiais, que atuam como vigilantes, em pelo menos duas mortes.
Os casos voltaram a repercutir após a morte do ex-presidiário, conhecido como Timbalada e que era flanelinha no bairro da Ponta Verde, ocorrida no último dia 30. Ele foi atingido por quatro tiros de Pistola PT-380 e o crime teria ligação com o assassinato de um morador de rua conhecido como Cotó, dias antes.
O coordenador do Gecoc, promotor Alfredo Gaspar de Mendonça contou que "Timbalada" chegou a ser ouvido no Ministério Público para confirmar seu envolvimento em um crime, também praticado por Cotó.
Mas, o flanelinha negou a acusação e não quis sair das ruas nem ser incluído no programa de proteção à testemunha. Isso porque a polícia cogitou cinco linhas de investigação para a morte do morador de rua e a mais provável delas apontou que o assassino pode ter ligação com esse ilícito cometido por ambos.
“O Timbalada foi ouvido pela polícia e depois por mim, junto com uma assistente social. Nós alertamos que ele poderia estar correndo risco de vida e oferecemos ajuda para ele sair das ruas, mas ele só pediu ajuda para libertar a esposa, que está em uma delegacia regional. Depois voltei a procurá-lo, fui no lugar onde ele ficava para explicar a situação, só que não adiantou. No dia do crime,a vítima foi chamada por um homem, que pediu ajuda porque seu caminhão estava quebrado. Ele andou cerca de 1km até ser atingido pelos disparos ”, contou.
O promotor lembrou que o Gecoc atua em casos que envolvem organizações criminosas e que é função da Polícia Civil a instauração do inquérito nos demais casos. Segundo ele, dos 23 casos investigados pelo grupo, 17 assassinatos foram considerados provenientes de brigas, discussões ou dívidas por conta de drogas entre os próprios moradores de rua.
"Fizemos uma triagem, com base em informações colhidas nas ruas e com testemunhas. Restaram seis homicídios, provavelmente encomendados. Pelo menos dois foram cometidos por dois policiais civis e um ex-policial. Os crimes aconteceram por causa de furtos na região. A polícia e o MP já têm os nomes dos acusados dos outros quatros crimes e só falta a documentação para duas testemunhas receberem proteção. As prisões deverão ser decretadas pela 17°Vara, mas queremos ter certeza da autoria dos assassinatos", destacou.
Questionado sobre a existência de milícias em bairros da periferia de Maceió, Mendonça afirmou que há muito tempo esses tipo de segurança vem sendo oferecido a comerciantes. "Aqui já existem indícios dessa prática, mas não podemos dizer que esses policiais envolvidos fazem parte de grupos de extermínio, que cobram e matam com a justificativa de proteger. Continuaremos com as investigações para desvendar esses assassinatos", informou. veja também:














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